História de Cepões

17. 05. 01
posted by: Super User
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Em termos históricos, segundo Pinho Leal, Cepões foi abadia representada pela família dos Tabordas, de Castelo Branco, composta dos seguintes lugares: Alcieira de Cima, Alcieira de Baixo, A. do Pinheiro, Aldeia, Arzival, Atacadouro, Avelinha, Aviúges, Bertelhe, Canidelo, Couto, Igreja, Maeira de Cima, Maeira de Baixo, Moinho da Insua, Moinho do Vouga, Moreiras, Nelas, Nogueira de Cima, Nogueira de Baixo, Outeiro, Residência, Saltadouro, São Joaninho, Sobreiras, Vale da Fraga e Vila Chã. Nesta altura a população era de 1692 habitantes com 468 fogos.

Segundo a Revista Beira Alta, Cepões dista a 10 km de Cota e é povoação tão antiga como Cota.

Estende-se em amola baixa, atestada de água e de húmus, rodeada de elevações de terreno. Entre estas a maior é o morro megalítico, no cimo do qual foi implantada a orada de Santa Eufemia de Matos e a capela adrede, construída em 1779, erguida em plano inferior. Neste monte existe também uma lagareta a que deram o nome de “Lagar dos Mouros”. Por atalho fica à distância de quilometro e meio de Cepões. 

Segundo o cronista “Seltibero Lusitanus”, consta que existem na área da freguesia de Cepões, várias estações arqueológicas, em virtude do aparecimento de pedaços de cerâmica antiga e restos de tégulas romanas. Existem também vestígios dos mouros.

Em Canidelo havia um solar que foi residência e refúgio de D. Inês de Castro. Consta ainda a existência de vários cemitérios que serviam de vala comum para enterrarem os mortos em combate, devido a invasões de vários povos, aos quais as gentes da Beira, opuseram sempre tenaz resistência.

O rio Vouga, que limita a freguesia de Cepões pelo Norte, constituía uma natural linha de defesa para qualquer força organizada. Isto leva-nos a acreditar que nesta zona a sul do referido rio, se tivessem travado auros combates, o que justifica a existência dos referidos cemitérios. A ideia é plenamente justificada, pela existência da ponte romana, sobre o rio Vouga, que ainda existe a jusante da actual. A referida ponte romana servia a estrada que era uma das onze vias romanas que irradiavam de Viseu. Esta estrada era conhecida por Via Romana Alves Martins, por ser este o caminho que o célebre bispo utilizava, quando se deslocava de Viseu à sua terra, no Norte do país. Estrada que do rio Vouga subia pelo Alto de Santa Eufêmia, passando pelo sopé, através do caminho do Mártir até à ponte de Nogueira. Daí pelo Vale do Corgo, Aviúges, Fontela, Cavernães, Mundão, Travessós de Baixo, até Viseu, onde entrava junto ao muro nascente da Cava.

De Nogueira de Baixo, partia um ramal, que por Vila Chã, em direcção à Fontela, onde bifurcava, na rua principal. Entretanto de Vila Chã, outro ramal, pela esquerda, por Travassos, Lamaçais, São Cristóvão, até Santos Evos, onde ia bifurcar na via que de Viseu, por Rio de Loba, Povolide, Insua ligava a Trancoso. Destas vias romanas, ainda existem alguns troços, especialmente entre Nogueira e Vila Chã.

Os elementos mais completos chegados até nós, estão contidos no livro “Tombo de Baldios”. Em quase todas as povoações, excepto no Coito, as pessoas anexaram áreas dos logradouros aos terrenos que já possuíam, ou simplesmente se apropriaram delas, a que deram o nome de “tomadias”. Pela discrição de um documento arquivado na Torre do Tombo, pode hoje, compreender-se melhor o que eram, em tempos muito recuados, a paisagem, relativamente à actual divisão das terras de cultivo, totalmente fraccionadas.

Deve ainda referir-se a existência de uma quinta de relativas proporções, que em tempos recuados foi muito conhecida e de cujo passado apenas restam os muros em pedra perpeanho, que correspondia à entrada principal. Essa quinta era conhecida, por Quinta do Pombal ou mais precisamente por “Quinta das Donas” propriedade do Reverendo Cónego Madureira. Nessa quinta moravam além de familiares do cónego, algumas freiras e presume-se que a denominação de Quinta das Donas se deva às irmãs do cónego. Também se deve referir o facto de nessa quinta se dar pousada aos almocreves e suas montadas, que do Norte, demandavam Viseu e outras cidades mais a Sul. E, como última nota, refira-se que toda a área de terras de Nogueira de Baixo, Nogueira de Cima e Azival, eram terras foreicas que pagavam foro à Mitra.»

 

Texto fornecido pela extinta Junta de Freguesia de Cepões